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Guarani

Campeão Brasileiro 1978

É CAMPEÃO

A sexta e o sábado foram de espera pelo jogo final e pelo grito definitivo de campeão, pois ninguém esperava que o GUARANI pudesse perder de 2 X 0 para o Palmeiras em pleno Brinco de Ouro. O domingo, 13 de agosto de 1978, dia dos pais, amanheceu frio, nublado e ventando, mas sem chuvas. A torcida chegou cedo ao Brinco, que ao meio-dia já estava cheio. 26 mil bugrinos e 2,5 mil palmeirenses, os quais ocuparam 25% da cabeceira do placar. Merece registro a presença de uma torcida organizada do Paulista de Jundiaí, que veio torcer pelo Bugre.

Os ingressos de arquibancada custavam 60 cruzeiros, um preço salgado na época, mas que tinha sido imposto como condição para que o jogo fosse realizado no Brinco. Para se ter uma idéia, naquela época uma passagem no transporte coletivo de Campinas custava 1 cruzeiro, um jornal custava 5 cruzeiros e o litro de gasolina custava cerca de 6 cruzeiros.

Os políticos da época também quiseram se aproveitar da festa. O governador do Estado, Paulo Egydio Martins, veio para o jogo dizendo que ia torcer para o GUARANI, mas foi ignorado pela torcida. 82 de estações de rádio e 10 de TV do país inteiro vieram cobrir o jogo. Foi difícil acomodar a todas. Na época estavam sendo construídos os camarotes do lado das vitalícias, e foram colocadas 2 estações por camarote (em obras). As que não couberam, ficaram nas cadeiras mesmo.

O GUARANI entrou em campo todo de branco, pois na época era o mandante que tinha que jogar com o segundo uniforme quando o adversário tinha camisa igual, sendo saudado por um mar de bandeiras verde-brancas e por um foguetório enorme. Na entrada em campo, os jogadores contornaram o gol de entrada do Brinco por recomendação do caboclo Guarantã. Uma faixa na torcida dizia: "Verde é Guarani, o resto é poluição".

O jogo começou nervoso, mas com o GUARANI dominando, com consciência de que o gol sairia naturalmente. O time estava tão bem entrosado que não se sentia a falta de Zenon. Do lado do Palmeiras o jovem goleiro Gilmar, que substituía Leão, foi uma grande revelação fechando o gol e evitando uma goleada. O gol bugrino saiu aos 36 min. do 1º tempo, com Careca aproveitando o rebote de uma ótima defesa de Gilmar. Depois do gol foi só festa. O GUARANI teve várias outras chances de ampliar o placar, sempre impedidas pelo goleiro Gilmar.

Vejamos o que escreveu a imprensa sobre o jogo:

Do Diário do Povo:

"Um show de ponta a ponta"

"O Guarani - o melhor time do futebol brasileiro e legítimo campeão - deu um verdadeiro show ontem à tarde no Brinco, conquistando uma grande vitória e impedindo que o Palmeiras tentasse qualquer reação. Um resultado justo, para um espetáculo que teve bons e maus momentos e uma inesquecível festa da torcida campineira. José Roberto Wright foi um bom árbitro e impediu que Zenon assistisse o jogo no banco." (...)

Da revista Placar:

"1o. tempo"
"Careca o rebote. E é gol."

"O jogo está começando, nervoso. Em dois minutos, o Guarani faz o seu primeiro ataque - Manguinha estendendo para Bozó, que tenta fechar para o gol - e toma seus primeiros sustos. Um na cobrança de falta, de Rosemiro para Toninho Vanusa, com Neneca espalmando perigosamente. Outro nessa confusão dentro da área, em que Nei e Escurinho acabam perturbando-se e perdendo a chance de gol."

O Guarani agora tenta rearmar-se, mas não consegue mais do que brilhar através de lances individuais, como o de Bozó dando a volta em Rosemiro e tentando, mais uma vez, correr para o gol."

"Briga-se pelos espaços. Nei corre o campo todo. Do lado do Guarani, Zé Carlos, na altura dos 7 minutos, começa a organizar o time. E o Guarani vai subindo. Renato corre como nunca: ajuda a defesa, avança para o ataque. Aos 14, Careca, Renato - e Gilmar saindo. Aos 23, Alfredo cobra, periga o Guarani, Neneca é empurrado. Aos 28, Toninho Vanusa leva cartão amarelo."

"Aos 33, está pintando o gol do Bugre: Renato sobe pela esquerda, cruza na área. A defesa do Palmeiras fura. E ninguém conclui."

"Agora - aos 37 - é o gol. Ataque do Palmeiras, rápida resposta do Guarani. Bola na esquerda, Bozó fecha de novo. Chuta, Gilmar rebate. E Careca entra certeiro para concluir."

"Faltam oito minutos. O Palmeira ataca. Mas o último lance de emoção é com Renato correndo, seguido por Beto Fuscão. Um lance de desespero para o Palmeiras."

"2o. tempo"
"O Bugre se acalma. E liquida"

"Manguinha começa falhando. O Palmeiras ocupa o campo. Tem Jair Gonçalves no lugar de Beto Fuscão. E tem Escurinho plantado na área - sua única arma para amedrontar o Guarani. O Palmeiras domina durante sete minutos. Em vão."

"Gomes está defendendo tudo. Miranda começa a desdobrar-se, defendendo, armando. O Bugre volta ao ataque. Ivo apela. Aos 9, Careca dribla Ivo, Capitão invade - e a bola sai fora, com perigo."

"Aos 13, cartão para Bozó. Aos 15, Renato, por trás da zaga, entrega a Careca. E quase sai o segundo."

"Aos 21, cartão amarelo para Mauro. E logo a beleza de jogada: Manguinha, Mauro, Manguinha, Careca, Renato entrando, e sendo derrubado. Zé Carlos cobra, no estilo Zenon."

"Aos 24, chance do Palmeiras: Gomes rebate, Jorge Mendonça atira para fora. É o último momento de risco para o Guarani, que logo depois, chega a ensaiar olé. Aos 31, Renato, de novo, é derrubado. Vem a cobrança perfeita de Mauro, a defesa notável de Gilmar."

"Rosemiro desespera-se, quer levar o Palmeiras à reação. Mas Miranda cresce: agora, não é só fôlego, é classe. Domina toda a sua faixa de campo."

"Aos 33, Jorge Mendonça cobra falta, Neneca defende."

"Agora, o Guarani está seguro em campo. Toca a bola, retrai-se e volta todo para o contra-ataque. Domina os últimos dez minutos. Quando vai cobrar a derradeira falta, termina o jogo."

"Começa a festa."

Quando o árbitro encerrou a partida o gramado foi invadido e os jogadores do GUARANI correram para o vestiário porque eles queriam guardar as camisas. E foi dentro do vestiário que o capitão Edson recebeu a taça, a Copa Brasil.

A festa se espalhou por toda a cidade, especialmente no centro, varando a madrugada. Parecia um sonho. A nota negativa ficou por conta de alguns poucos que se aproveitaram da festa para praticar atos de vandalismo contra automóveis e vitrines.

Logo depois do jogo já estavam à venda edições especiais dos jornais Diário do Povo e Correio Popular, avidamente disputadas pelos torcedores.

A seguir, um apanhado das manchetes e títulos de notícias publicadas após a final:

"GUARANI, O CAMPEÃO DO BRASIL"

"BRASIL TEM NOVO CAMPEÃO: GUARANI"

"O BRASIL TODO NA CIDADE"
(alusão às 82 emissoras de rádio e 10 de TV que cobriram o jogo)

"BUGRE CAMPEÃO"

"BUGREEE... BUGREEE... UM GRITO QUE VAI FICAR PARA A HISTÓRIA"

"UM SHOW DE PONTA A PONTA"

"AGORA, A LIBERTADORES"

"O BUGRE CONFIRMOU"

"A CIDADE AMANHECEU TODA VERDE"

"O BRASIL GANHA OUTRO GRANDE NO FUTEBOL"

"CARECA, O GRANDE DA ÚLTIMA BATALHA"

"GILMAR, NA FOGUEIRA, EVITOU A GOLEADA"

"O MELHOR FUTEBOL DO BRASIL"

"GUARANI CAMPEÃO ARRANCA LÁGRIMAS DE CARLOS ALBERTO"

"CAMPINAS SE VESTE DE VERDE, FAZ MACUMBA E ARMA A GRANDE FESTA"

"FESTA COM ROJÕES LEVA TORCEDORES AOS HOSPITAIS"

O dia seguinte foi um meio feriado em Campinas. Muitas escolas não tiveram aula e o centro parou novamente porque os jogadores do GUARANI foram à agência da Caderneta de Poupança Continental, na Rua Barão de Jaguara, para distribuição de autógrafos, e atraíram uma multidão incalculável de pessoas. A festa continuou por toda a semana, até a manhã do domingo seguinte, quando houve distribuição gratuita de chopp aos torcedores em frente ao Brinco. E à tarde o Bugre bateu o Paulista de Jundiaí por 2 X 1, na sua estréia no Campeonato Paulista de 1978.

O período de 42 dias entre os 3 X 0 contra o Inter em Porto Alegre e o jogo final em Campinas foram de alegria inigualável para todos os bugrinos.

A ficha técnica da partida final:

GUARANI 1 X 0 Palmeiras
Campeonato Brasileiro (Copa Brasil) - Final
Local: Brinco de Ouro da Princesa - Campinas
Árbitro: José Roberto Wright (RJ) Auxiliares: Mário Rui de Souza (RJ) e Mário Leite Santos (RJ)
1º tempo: GUARANI 1 X 0 - CARECA aos 36 min.
Final: GUARANI 1 X 0.
Renda: Cr$ 1.706.280,00
Público: 28.287 (2.086 pagantes e 1.201 menores)

GUARANI NENECA, MAURO, GOMES, EDSON E MIRANDA; ZÉ CARLOS, RENATO E MANGUINHA; CAPITÃO, CARECA E BOZÓ. TÉCNICO: CARLOS ALBERTO SILVA.

Palmeiras Gilmar, Rosemiro, Beto Fuscão (Jair Gonçalves), Alfredo e Pedrinho; Ivo, Jorge Mendonça e Toninho Vanusa; Sílvio, Escurinho e Nei. Técnico: Jorge Vieira.

Além do título do campeonato, o GUARANI foi também o campeão da disciplina, Neneca ganhou o prêmio de goleiro menos vazado, Zenon o de craque do campeonato e Carlos Alberto Silva o de melhor técnico. O GUARANI obteve 11 vitórias seguidas, nos 11 jogos finais. Trata-se de um recorde que até hoje não foi superado em Campeonatos Brasileiros. Nesses 11 jogos sofreu apenas 2 gols.

A campanha do GUARANI:

Geral

No Brinco

Fora

Jogos

32

17

15

Vitórias

20

14

6

Empates

8

2

6

Derrotas

4

1

3

Gols Pró (média)

57 (1,78)

39 (2,29)

18 (1,20)

Gols Contra (média)

22 (0,69)

7 (0,41)

15 (1,00)

Saldo

35

32

3

Aproveitamento

75%

88%

60%

Médias de Público

17.319

13.188

22.000

Artilheiros:
13 gols - Zenon e Careca
10 gols - Renato
6 gols - Capitão
5 gols - Miranda
3 gols - Bozó
2 gols - Mauro e Macedo
1 gol - Gomes, Gersinho e Orlando (Vasco - contra)

Jogadores que atuaram:
32 vezes - Carlos RENATO Frederico
30 vezes - MAURO de Campos Júnior e EDSON Alves de Oliveira
29 vezes - Hélio Miguel (NENECA), Donizeti Manoel Onofre (MIRANDA) e José Carlos Bernardo (ZÉ CARLOS)
28 vezes - Rodolfo C. de Lima (CAPITÃO) e Antonio de Oliveira Filho (CARECA)
27 vezes - ZENON de Souza Farias
23 vezes - Edson GOMES Bonifácio e Luís Carlos MACEDO
20 vezes - Luís A. de Aguiar (BOZÓ)
16 vezes - Edison A. Acedo (MANGUINHA)
14 vezes - Gerson Sebastião Moyses (GERSINHO)
12 vezes - Sildes de SILVEIRA Povoas e ADRIANO J. Mariano
11 vezes - ALEXANDRE B. Oliveira
05 vezes - Elias das Graças Travassos (CUCA)
03 vezes - JOÃO ROBERTO Brás e JOÃO CARLOS Travain
02 vezes - ODAIR de Lima
01 vez - Antonio TADEU Bergamo, Cláudio J. A. de Oliveira (CLAUDINHO) e ANTONIO CARLOS

Observações interessantes: Renato jogou em todas as partidas e Macedo jogou mais vezes que Bozó, embora Bozó tenha sido imortalizado na escalação e Macedo tenha sido praticamente esquecido.

Cartões Vermelhos: 2 (Miranda e Edson)


A torcida fez a festa (foto Folha de S. Paulo)


Torcedor espalha sal grosso dentro do gramado (foto Folha de S. Paulo)


Careca comemora o gol com a torcida (foto revista Placar no. 434)


Já dentro do vestiário, o capitão Edson ergue a taça (foto Diário do Povo)


Bozó pega a bola no fundo do gol do Palmeiras e gandula comemora (foto revista Placar no. 434)

 

Especial



Miss São Paulo é Guarani!!!
Guarani 4x2 D. de Caxias
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Local:Brinco de Ouro
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