Resgatar um pouco mais da história do Guarani também é uma missão do Plantão do Bugre. E uma das formas de se fazer isso também é entrevistando algumas pessoas que fizeram parte do algum momento do Bugre, seja em campo ou fora dele.
E é por isso que, na segunda entrevista da seção ENTREVISTAS do Plantão do Bugre, trazemos como entrevista o ex-meio campista do Guarani Edu Lima, que participou de campanhas pelo alviverde campineiro entre os anos de 1992 e 1994, voltando ao Brinco de Ouro no ano de 1996. E foram apenas grandes campanhas: a quase classifiação para a final do Paulista de 1992, a fase final do Brasileiro de 1993, o 3o lugar do Brasileiro de 1994 (na equipe que tinha Amoroso e Luizão) e o 7o lugar no Brasileiro de 1996 (após ter feito a 2a melhor campanha na fase de classificação).

Edu Lima fez parte da última grande equipe do Guarani: a do Brasileiro de 1994
Edu Lima: "O Guarani foi uma das minhas grandes fases profissionais e pessoais"
Plantão do Bugre: Como o Edu Lima começou a jogar futebol?
Edu Lima: Comecei a jogar futebol aos 8 anos de idade. Foi no futebol de salão do Cruzeiro E.C.
Plantão do Bugre : Depois de um início promissor no Cruzeiro, você foi emprestado ao Palmeiras, mas ainda tinha 18 anos. Qual o peso desta experiência em sua carreira, já que você saiu do seu clube formador com apenas 18 anos?
Edu Lima: É verdade,com 16 anos já vestia no Cruzeiro a camisa do time profissional. Fui para o Palmeiras numa troca que envolveu o Carlos Alberto Seixas. Foi uma experiência valiosa, apesar de ter ficado pouco tempo, mas convivi com grandes nomes do futebol daquele time na época. Os clubes não valorizavam como hoje, a categoria de base.
Plantão do Bugre: Você, pode-se dizer, fez duas torças polêmicas. Primeiro trocou o Vitória-BA pelo Bahia, no final da década de 80. Depois, jogou no Atlético-MG, clube rival do Cruzeiro, onde você começou. Foram fáceis essas trocas?
Edu Lima: A primeira troca foi mais traumática para mim e minha família. Defendi na época meus direitos, através de um erro de pedido pela preferência da renovação do meu contrato por parte do Vitória. Estava começando minha carreira profissional e não podia ficar parado. O Bahia se interessou em me contratar e ao mesmo tempo me usou politicamente para desdenhar o rival. Imagina em que fogo cruzado fiquei. Já a minha ida para o Atlético- MG foi mais tranqüila. Já estava fora de Minas Gerais havia 7 anos. Apesar de ter saído praticamente dentro do Cruzeiro e ter que substituir um grande ídolo da torcida atleticana que era Éder.
Plantão do Bugre: Em 1992 você chegou ao Guarani. Como se deu sua chegada e quais foram suas primeiras impressões do Bugre?
Edu Lima: Não é porque estou falando no site Plantão do Bugre, mas as pessoas que convivem mais próximas de mim sabem qual é o time do meu coração. A realidade é que o Guarani sempre me impressionou muito e continuará a impressionar. É simples, sempre será respeitado e amado. Foi uma das minhas grandes fases profissionais e pessoais.
Plantão do Bugre: Em 1992, você fez dupla com um até então desconhecido garoto vindo do Tanabi: o atacante Edílson, que anos depois viria a ser o “capetinha”, chegando até à Seleção Brasileira Pentacampeã Mundial em 2002. O que falar daquela dupla que infernizou o Campeonato Paulista daquele ano?
Edu Lima: Pois é, me lembro do Edilson chegando no Brinco com uma sacolinha de plástico e um par de chuteiras dentro. O baianinho chegou cheio de esperança, conquistou seu espaço e hoje se transformou em um campeão mundial. No começo levava o Edílson para almoçar e às vezes jantar, pois sou casado com a Elyane que nasceu em Salvador e lá em casa tinha farinha da Bahia e comida baiana. Foi legal atuar ao seu lado.
Plantão do Bugre: O que faltou para o Guarani chegar à final do Paulista de 1992? Apenas uma vitória contra o Mogi Mirim na última rodada?
Edu Lima: Faltou um golzinho. O Mogi daquela época, aliás a maior parte das equipes daquela época eram muito mais encorpados e ganhar de uma equipe que tinha, Rivaldo e Leto começando, não era nada fácil ainda mais jogando fora de casa. Era, depois do Derby campineiro o segundo maior clássico da região.
Plantão do Bugre: Apesar de ter ficado um bom tempo na memória da torcida bugrina, você atuou em apenas um Dérbi. Qual é a sensação de jogar este clássico contra a Ponte Preta? Faltaram mais oportunidades?
Edu Lima: Faltaram oportunidades, pois foram poucos os confrontos. O Bugre sempre na Série A1 e a Ponte na A2, tanto que em 95 fui para o Lousano Paulista e joguei contra a Ponte, não me lembro se na A2 ou A3.
Plantão do Bugre: No período em que você esteve no Guarani você teve a concorrência de muitos jogadores canhotos, assim como você: Djalminha, Robert e Alex (formado nas categorias e já falecido em virtude de um problema de coração). Como era esta disputa?
Edu Lima: Muito saudável, nós pensávamos no melhor para o Guarani, lutávamos muito contra os adversários e isto alimentava nosso caráter em termos de que o time fosse um todo, um grupo forte.

Em sua primeira temporada pelo Bugre (1992) Edu Lima comemora um dos seus gols
Plantão do Bugre: Você também faz parte do último grande esquadrão do Bugre: o do Campeonato Brasileiro de 1994. Dizem que este time só não foi campeão porque tinha o Palmeiras na parada, que tinha muitos jogadores da Seleção Brasileira. O que você tem a dizer sobre aquele time?
Edu Lima: Me arrepio só de pensar. Todas as equipes nos respeitavam, em qualquer lugar, em qualquer campo. Toda a formação dessa equipe começou em 92. Fernandão, Jura, Rocha, Guilherme, Jorge Luis, Cláudio, Amoroso, Luizão, Djalma entre outros. Era um grupo que sabia das suas limitações, por isso tenha chegado tão perto e que também fosse tão respeitado.
Plantão do Bugre: Outra pausa na carreira e depois você voltou ao Guarani em 1996, para a disputa do Campeonato Brasileiro. Mais uma vez uma boa campanha: o 2º lugar na classificação geral, mas a eliminação nas Quartas de Final para o Goiás. O que falar sobre aquele time e o que faltou para avançar no campeonato?
Edu Lima: Perdemos algumas peças importantes no decorrer da competição. O grupo era qualificado porém reduzido e talvez tenha sido este o grande pecado. Estávamos convencidos e queríamos chegar ao título. Seria bom conquistá-lo 18 anos depois novamente.
Plantão do Bugre : Dos muitos e muitos gols que você fez pelo Guarani, qual foi o mais bonito? E o mais importante?
Edu Lima: Contra o Palmeiras já no final do jogo, lembram? Guarani 5 X 2 Palmeiras. Tinha perdido um pênalti no início da partida e logo depois o Evair abriria o placar para o Palmeiras. Foi o quinto gol do Guarani, de sem pulo, depois de uma cobrança de escanteio do Aílton. Peguei de prima e de fora da área.
Plantão do Bugre: Você viveu anos áureos no Guarani, quando o clube disputava títulos. Como vê o Guarani de hoje, que amarga a série A2 do Paulista e a série C do Brasileiro?
Edu Lima: Vejo com tristeza é claro. Mas acredito na volta de um Guarani forte à primeira divisão. E quando voltar, segura este clube. Alguma coisa me diz que não vai demorar.
Plantão do Bugre: O Guarani foi o melhor momento em sua carreira? A torcida sempre se lembra de você e seus belos chutes com a perna esquerda.
Edu Lima: Guarani é muito importante para mim, eu só queria retribuir.
Plantão do Bugre: Em 1998 você parou de jogar, no União São João. Como foi essa decisão?
Edu Lima: Difícil, mas já era hora. Comecei a carreira profissional aos 16 anos e no clube de Araras já havia completado 33. A cabeça pensava mas a perna já não acompanhava. Queria sair deixando uma boa imagem. Aquela que construí ao longo da carreira.
Plantão do Bugre: Mesmo sem atuar nos gramados, você não abandonou o futebol: fez faculdade de jornalismo e tornou-se comentarista esportivo. Do que você tira de positivo desta experiência?
Edu Lima : Foi um projeto pós carreira de atleta profissional. Comentando partidas em rádio e TV teria uma visão melhor do jogo, poderia aprender mais lá de cima e quando fosse para a prática, no gramado, pudesse usufruir desse aprendizado. Foi tudo planejado, foram 3 anos e meio.
Plantão do Bugre: Em 2003 veio o início de um grande desafio na carreira: ser técnico de futebol. E você começou justamente onde foi revelado: treinando as categorias de base do Cruzeiro. Conte mais sobre esta experiência de iniciar o trabalho como técnico.
Edu Lima: Foi a segunda parte do meu projeto pessoal. Começar de baixo. A base me deu sustentação e me permitiu definir se era realmente aquilo que eu queria fazer. Quanto a experiência ???? Foi tremenda. Não estava ali apenas para passar o que vivi em minha carreira e nem tampouco para ensinar. Aprendi muito também.

Edu Lima começou sua carreira como técnico nas categorias de base do Cruzeiro
Plantão do Bugre: Recentemente você esteve fazendo um estágio no São Paulo para ser treinador de profissionais. Como foi esta experiência? Você aguarda agora por propostas de algum clube?
Edu Lima: O estágio no São Paulo foi outra parte do meu projeto de preparação. Não precisa dizer o que é Cruzeiro, São Paulo e Internacional de Porto Alegre, precisa? Agora estou esperando propostas de equipes profissionais que queiram contar com a minha filosofia de trabalho.
Plantão do Bugre: Você faz um belo trabalho assistencial na ONG Criança Feliz. Fale um pouco mais sobre este projeto.
Edu Lima: Não costumo falar muito sobre isso, me sinto incomodado, prefiro agir, sentir o carinho da criançada, a necessidade que eles têm de demonstrar afeição fazendo lindos trabalhos e nos ensinando a viver com mais autenticidade. Superando dificuldades e se preparando para que um dia possam voltar para casa ou estarem preparados para o mercado de trabalho.
Plantão do Bugre: Mande um recado para a torcida bugrina, saudosista dos tempos de vitórias do Guarani com Edu Lima representando as cores do Bugre Campineiro.
Edu Lima: Continuem unidos, usando aquilo que Deus nos deu de graça, que foi a Vida e a Inteligência. Não vai existir tempestade que derrube um alicerce sólido. Obrigado pela oportunidade e um forte abraço a todos.
Miss São Paulo é Guarani!!!
Guarani 4x2 D. de Caxias
Clique no vídeo para ampliar
0x0
Matéria e Ficha Técnica
Fotos e Vídeo
x![]()
Local:Brinco de Ouro
Data: 23/11/2008
Hora: 19:00